quarta-feira, 4 de março de 2015

Conheça e entenda a saga histórica de Assassin's Creed

Quando a produtora francesa Ubisoft lançou o primeiro
Assassin’s Creed, em 2007, ela estava apostando em
um novo tipo de mercado para os games. Este era um
título com forte teor histórico, mas que fugia do
esquema de estratégia em tempo real, como era comum
em games históricos. Assassin’s Creed colocava o
jogador em uma aventura com visão em terceira pessoa,
repleta de ação e malabarismos.
O primeiro Assassin’s Creed, enfim, foi lançado em
novembro de 2007, para Xbox 360 , PC e PlayStation 3,
com grande qualidade gráfica, surpreendendo os
jogadores. Isso sem falar no fato de que o jogo te
coloca para se divertir no controle de um legítimo
assassino, algo controverso em uma sociedade
“politicamente correta”. Mas o game guardava outra
carta na manga: ele mesclava elementos modernos,
dignos de uma trama de ficção científica, com eventos
e personagens históricos. Na época do primeiro
anuncio, pouco sabíamos sobre o game. Ele ainda se
chamava Project Assassin e os primeiros boatos eram
de que ele seria muito similar à série Prince of Persia,
também da Ubisoft . Até que os boatos não estavam
tão longe de serem verdade assim, já que, no fundo, os
jogos se parecem com as aventuras do Príncipe em sua
jogabilidade, mas diferiram completamente em
inovação.
Mas atenção, antes de ler saiba que este texto contém
spoilers, ou seja, informações que podem estragar a
surpresa de quem ainda não jogou os games da série.
Assassin’s Creed – 2007 – PlayStation 3, Xbox 360,
PC
O primeiro jogo nos apresentou Altaïr ibn La-Ahad,
encapuzado e estiloso membro da Ordem Secreta dos
Assassinos, ou Hashishin, em plena época da Terceira
Cruzada, no ano de 1191, na chamada Terra Sagrada.
Com muitas referências históricas, o game se foca em
uma eterna batalha entre esta ordem de assassinos e a
Ordem dos Templários, em busca de um misterioso
artefato conhecido como “Piece of Eden”. Com esta
premissa, o jogador tem de viajar por três cidades
presentes no jogo – Acre, Damasco e Jerusalém –
todas fielmente retratadas e grandiosas, guardadas as
devidas proporções.
Mas não pense que a história para por aí.
Paralelamente, no presente, somos apresentados por
Desmond Miles, descendente de Altaïr, em pleno século
XXI. Desmond, que é um simples bartender, é raptado
pr uma organização chamada de Abstergo. Lá ele é
inserido na máquina conhecida como Animus, para que
reviva memórias de seus antepassados. Esta é a
desculpa para que o jogador controle Altaïr e reviva toda
a aventura do assassino em busca da Piece of Eden.
Com o tempo, Desmond descobre que a Abstergo nada
mais é que uma versão moderna dos Templários. Com
isso, ele, que agora havia se tornado um assassinos
descendente de Altaïr, com direito a habilidades até
então desconhecidas, foge de seu cativeiro com Lucy
Stillman, ex-funcionária da Abstergo e assassina
disfarçada. No mesmo momento em que Altaïr descobre
que seu mentor é um templário secreto, Desmond foge
das verdadeiras intenções do cientista Warren Vidic –
obter a localização das Piece of Eden no presente com a
ajuda das memórias do até então bartender.
Assassin’s Creed II – 2009 – PlayStation 3, Xbox 360,
PC, Mac
Cerca de dois anos depois a Ubisoft nos apresentava a
Assassin’s Creed II, primeira sequência da saga de
Desmond, que continuava diretamente sua história, logo
após o final do game anterior. Aqui, o herói (já na
companhia de Lucy e também de outros aliados)
embarca em uma jornada para conseguir mais
informações e habilidades de seus antepassados e,
assim, derrotar os templários do mundo moderno. A
principal novidade é que Desmond se depara com um
novo assassino, desta vez na Itália renascentista, no
século XV – Ezio Auditore da Firenze.
Ao contrário de Altaïr, Ezio inicialmente pouco tem
relação com o clã de Assassinos. Ao contrário, ele é um
jovem nobre de Florença, membro de uma família rica, e
seus problemas se resumem a brigas contra jovens de
famílias rivais nas ruas italianas. Porém, após uma
conspiração deflagrada, Ezio descobre que seu pai era,
na verdade, um assassino, mas que foi traído por um
antigo aliado – o espanhol Rodrigo Borgia, que
futuramente se tornaria o Papa Alexandre VI.
Ezio segue os passos do pai e jura vingança pela morte
de seu pai e irmãos. Acoado, foge com mãe e irmã para
a vila Monteriggioni, onde encontra seu tio Mario, que
lhe ensina uma série de lições e treinos sobre a Ordem
de Assassinos, e também sobre o conhecimento da
Piece of Eden, que aqui passa a ser chamada apenas de
“Apple” (“Maçã”, em inglês). Desta forma, Ezio se
prepara para contra-atacar Borgia e todos que a ele se
aliarem, e também para recuperar a Apple das mãos dos
inimigos templários.
A aventura termina de forma épica, quando Ezio se
torna um assassino completo e encontra outros aliados
e membros ilustres da Ordem de Assassinos, como
Nicolau Maquiavel. Ezio logo planeja uma invasão ao
Vaticano, onde tem o Rodrigo Borgia, agora Papa, como
principal alvo. Após vencer o inimigo, mas não matá-lo,
ele se depara com a Apple, onde encontra também uma
espécie de ser holográfico que fala diretamente com o
jogador, que se identifica como a deusa Minerva.
Miverna explica que ela e a sua raça moravam na Terra
muitos anos antes da humanidade, quando catástrofes
celestiais dizimaram quase toda a vida do planeta. Os
sobreviventes reconstruíram a civilização e criaram a
humanidade à sua própria imagem. Eventualmente, uma
guerra entre os humanos e a raça de Minerva acabou
por destruir tudo novamente, e agora a “deusa” quer
alertar a Desmond (no presente, por meio das memórias
de Ezio) para que a história não se repita.
Paralelamente, no presente, Desmond começa a
descobrir símbolos gráficos deixados na memória de
Ezio por alguém conhecido como Subject 16, outra
pessoa que foi capturado pela Abstergo para testes no
Animus. As informações sobre 16, porém, ainda são
escassas e revelam muitos mistérios. O game termina
com a fuga de Desmond, Lucy e outros aliados, que
fogem incansavelmente de agentes Abstergo no
presente. O herói se prepara para entrar novamente no
Animus, para que assim conheça mais das memórias de
Ezio.
Assassin’s Creed: Brotherhood – 2010 – PlayStation 3,
Xbox 360, PC, Mac
Assassin’s Creed: Brotherhood começa imediatamente
no momento em que Assassin’s Creed II termina, após
a conversa entre Minerva e Ezio Auditore da Firenze.
Considerado “o segundo capítulo na trilogia Ezio”, este
ainda não é Assassin’s Creed III, mas sim um novo
capítulo que expande a história do herói e o introduz
agora como um verdadeiro mestre na Ordem de
Assassinos.
Após deixar escapar o inimigo, Ezio passa por um
período de descanso em Monteriggioni, quando os
Borgia o atacam sem o menor aviso. Agora mais velho
e mais experiente, Ezio comanda um contra-ataque
contra um verdadeiro exército de templários, mas logo
se depara com um novo e mortal inimigo, Cesar Borgia,
que assassina seu tio Mario bem em sua frente,
partindo após deixar Monteriggioni destruída e feridas
que demoram a sarar. A nova aventura ruma para seu
cenário principal: a gigantesca Roma, com Coliseu e
tudo.
Este pode ser considerado um capítulo bem rápido da
trama, já que sua história pode ser concluída em poucas
horas. Porém, ele não pode ser ignorado, pois apresenta
uma série de importantes eventos para a vida de Ezio e
também de Desmond.
Como citado, o herói do passado agora se torna o
mestre da Ordem de Assassinos, após ter o “cargo”
repassado por Maquiavel, um verdadeiro líder de uma
irmandade inteira de soldados, que farão de tudo para
protegê-lo e também em missões especiais. Com isto
entra um novo sistema de jogo, onde é possível recrutar
assassinos e comandá-los em tempo real durante os
combates.
Novos personagens secundários aparecem, sejam pelo
lado dos aliados de Ezio e também pelo lado dos
inimigos. Os principais nomes da família Borgia
possuem papel importante na história, principalmente
Cesar, que é o “chefão final” e a principal ameaça neste
capítulo, e também a bela Lucrécia Borgia.
Após encarar de frente membros da família Borgia e até
eliminar alguns deles, Ezio, ao lado de seus aliados da
Ordem de Assassinos, se depara cara a cara com Cesar
no final do game, que é preso pelo exército do Papa
Júlio II. Mesmo derrotado, Cesar consegue escapar de
sua prisão e resolve atacar a cidade de Navarro, na
Espanha.
Com a Apple recuperada, Ezio retorna à Itália, onde
resolve esconder o artefato em um local chamado de
Templo de Juno, com referência à deusa Juno. No
presente, com base nas memórias do assassino,
Desmond e seus aliados partem em busca do Templo
de Juno, onde apenas Desmond se depara diretamente
com a deusa, que diz que a humanidade é “inocente e
ignorante” e logo em seguida começa a controlar o
corpo de Desmond e o faz assassinar Lucy. O motivo?
Até então desconhecido, e é quando o herói do presente
entra em coma, no mesmo momento em que os créditos
começam a subir na tela.
Brotherhood também foi o game responsável por
introduzir um modo multiplayer na série Assassin’s
Creed nos consoles, bem interessante e inovador por
sinal.
Assassin’s Creed: Revelations – 2011 – PlayStation 3,
Xbox 360, PC
Revelations é o mais novo capítulo na saga Assassin’s
Creed . Este é o último game estrelado por Ezio, que
também fecha pontas soltas na história de Altaïr, mas
prolonga ainda mais a saga de Desmond no presente. O
jogo tem como ponto de partida justamente o final de
Brotherhood, após Desmond esfaquear Lucy e cair no
coma. O herói acaba por ficar preso em seu
subconsciente, em um local chamado de “Animus
Backdoor”, de onde começa a vivenciar as últimas
memórias de Ezio.
No passado, Ezio, agora já sentindo o peso da idade, se
dirige para Masyaf, na Síria, onde pretende descobrir
mais sobre as origens dos Assassinos e também sobre
a figura de Altaïr, lendário assassino. Lá, ele descobre
que o território está tomado pelos templários. Ao
mesmo tempo ele também toma conhecimento de um
artefato que está protegido por seus inimigos,
trancafiado com cinco selos.
O herói parte para Constantinopla, onde se encontram
os cinco selos. E é quando uma nova série de eventos e
conflitos tem início. Desta vez, o início do fim para Ezio.
O game promete fechar todas as pontas soltas sobre o
herói, mas também promete complicar ainda mais a
vida de Desmond.
Capítulos de bolso
A série Assassin’s Creed possui já uma série de jogos
lançados em dispositivos portáteis. Entre as
plataformas que receberam tais jogos estão o PSP,
Nintendo DS e até celulares/smartphones. Na maioria
das vezes, tais jogos são histórias paralelas que
adicionam pouco aos heróis da saga.
Assassin’s Creed: Altaïr’s Chronicles , por exemplo, é
uma aventura de gráficos simples que saiu no Nintendo
DS e também em dispositivos iOS . O game era centrado
em Altaïr (e não mostrava Desmond) com a missão de
repelir ataques Templários em cidades.
Já Assassin’s Creed: Bloodlines é um pouco mais
desenvolvido e tem gráficos um pouco mais elaborados.
Também centrado em Altaïr, o game saiu apenas no
PSP e parte de sua história é até citada em Assassin’s
Creed II .
Outros jogos, como Assassin’s Creed II: Discovery e
Assassin’s Creed: Multiplayer Rearmed foram voltados
para aventuras mais rápidas e sem muito compromiso
com a história. Já Assassin’s Creed: Project Legacy é
um game social lançado no Facebook que deixa os
jogadores brincarem com o sistema Animus.
Existem ainda capítulos que não estão em videogames,
como os livros e quadrinhos da série.
Erros e acertos
Vale lembrar que, como qualquer jogo, a série
A ssassin’s Creed tem seus erros e acertos. O primeiro
game foi duramente criticado por prometer muito e não
ter fornecido tanto assim. Alguns pequenos problemas
como a falta de legendas (algo reclamado até mesmo
por jogadores norte-americanos), jogabilidade repetitiva
e bugs gráficos foram constantes, mas felizmente
corrigidos já em Assassin’s Creed II .